segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Discreto Bater de Asas de Anjo...


"O Victor é um adolescente. Arranjou um emprego no Mcdonalds. No Mcdonalds trabalham adolescentes. Antes de iniciar o seu trabalho eles são treinados. São treinados, primeiro, a cuidar do espaço em que trabalham: a ordem, a limpeza, os materiais - guardanapos, canudinhos, temperos, bandejas. É preciso não desperdiçar. Depois, são treinados a lidar com os clientes. Delicadeza. Atenção. Simpatia. Sorrisos. Boa vontade. Clientes não devem ser contrariados. Têm de se sentir em casa. Têm de sair satisfeitos. Se saírem contrariados, não voltarão. O Victor aprendeu bem as lições: começou o seu trabalho. Mas logo descobriu uma coisa que não estava de acordo com o aprendido: os adolescentes, fregueses, não cuidavam das coisas como eles, empregados, cuidavam. Tiravam punhados de canudinhos para brincar. Usavam mais guardanapos do que o necessário. Punham as bandejas dentro do lixo. Aí o Victor não conseguiu se comportar de acordo com as regras. Se ele e os seus colegas de trabalho obedeciam às regras, por que os clientes não deveriam obedecê-las? Por que sorrir e ser delicado com fregueses que não respeitavam as regras de educação e civilidade? E ficou claro para todo mundo, colegas e clientes, que o Victor não estava seguindo as lições... O chefe chamou o Victor. Lembrou-lhe o que lhe havia sido ensinado. O Victor não cedeu. Argumentou. Disse de forma clara o que estava sentindo. O que ele desejava era coerência. Aquela condescendência sorridente era uma má política educativa. Era injustiça. Os seus colegas de trabalho sentiam e pensavam o mesmo que ele. Mas eram mais flexíveis... Não reclamavam. Engoliam o comportamento não educado dos clientes-adolescentes com o sorriso prescrito. E o chefe, sorrindo, acabou por dar razão ao Victor. Qual a diferença que havia entre o Victor e os seus colegas? O Victor tem Síndrome de Down."

(Rubem Alves , Correio Popular, Caderno C, 23/09/2001.)

terça-feira, 30 de março de 2010

Silêncio...



Alguém diz que eu
Vivo no silêncio.
É verdade.
Silêncio de corpo, mas nãode espírito.
Este, ouve e canta as alegrias que Deus lhe deu,de Viver!!!

Que importa ser-se surdo
num mundo cheio de ruídos
sem ligação alguma com o meu Ser.

Bendito sejas, Senhor, que me destes
os silêncios deste mundo.
Ao existires, de facto, para mim,fazes com que o meu Eu viva,
porque Tu, Senhor, não abates
antes exaltas a beleza dos sons
que o meu coração ouve...

José Pedro Amaral - surdocego - Lisboa/Portugal
Disponível no site: http://www.vezdavoz.com.br/2vrs/noticiasview.php?id=115

segunda-feira, 15 de março de 2010

Programação de Atividades Pestalozzi SP/ 2010

1) CURSO DE ATUALIZAÇÃO EM PSIQUIATRIA DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA “Intervenções e possibilidades na área clínica e educacional”

Objetivo: fornecer informações sobre os quadros clínicos que favoreçam a ampliação de conhecimentos e de possibilidades de intervenção no âmbito clínico e/ou educacional de pessoas com quadros de natureza psiquiátrica.
Público: Profissionais da área da Saúde e da Educação
Datas: 22/05 a 26/06/2010 (sábados)
Carga Horária: 20 horas
Horário: 08h00 às 12h00
Formato: 05 encontros
Conteúdo Programático: Introdução à Psiquiatria da Infância e da Adolescência; Transtorno Global do Desenvolvimento: Autismo/ Síndrome de Asperger; Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade/Transtorno Opositor Desafiante/Transtorno de Conduta; Transtorno Afetivo-bipolar; Transtorno de Ansiedade: Transtorno Obsessivo-compulsivo; Síndrome do Pânico; Fobias.
Docentes: Profissionais da Pestalozzi de São Paulo
Vagas: limitadas (mínimo de 30 pessoas)
Obs.: Haverá envio de certificado de participação no evento.
Investimento:
Profissionais = 3x de R$ 125,00, sendo depósitos para 15/03; 15/04 e 14/05
Alunos de graduação*, pós-graduação* e professores** = 3x de R$ 116, 00, sendo depósitos para 15/03; 15/04 e 14/05
Grupos de 05 pessoas = 3x de R$ 116,00, sendo depósitos para 15/03; 15/04 e 14/05
* alunos regularmente matriculados em 2010 com comprovante
** professores da rede pública e privada
Dados bancários: Banco do Brasil - 001, Agência 0584-3, c/c 9900-7, Sociedade Pestalozzi de São Paulo. Enviar comprovante do depósito e de escolaridade/função até o dia 17/05/2010, com nome e telefone para o Fax: (11) 2905.3045/ 2905.3048 – A/C Depto. de CursosLocal de Realização e Informações:Sociedade Pestalozzi de São PauloAv. Morvan Dias de Figueiredo, 2801 – Vila Guilherme - São PauloFone: (11) 2905 3045 / 2905 3047 / 2905 3048 - Ramal 240E-mail: cursos@pestalozzisp.org.br

2) 1º ENCONTRO DE FORMAÇÃO – ATENDIMENTO À DIVERSIDADE “Oficina do saber”

Objetivo: discutir aspectos relacionados ao processo de aprendizagem e associá-los com estratégias e materiais de apoio à prática pedagógica que favoreçam o desenvolvimento das habilidades dos alunos nas áreas diversas áreas do conhecimento.
Público: Profissionais da área da Saúde e da Educação
Datas: 24/06/2010
Carga Horária: 02 horas
Horário: 18h00 às 20h00
Formato: 01 encontro
Conteúdo Programático: processo de aprendizagem, prática pedagógica, estratégias e materiais de apoio.
Docentes: Profissionais da Pestalozzi de São Paulo
Vagas: limitadas (mínimo de 30 pessoas) Obs.: Haverá envio de certificado de participação no evento
Investimento:
Profissionais = R$ 40,00
Alunos de graduação*, pós-graduação* e professores** = R$ 35,00
Grupos de 05 pessoas = R$ 35,00
* alunos regularmente matriculados em 2010 com comprovante
** professores da rede pública e privada
Dados bancários: Banco do Brasil - 001, Agência 0584-3, c/c 9900-7, Sociedade Pestalozzi de São Paulo. Enviar comprovante do depósito e de escolaridade/função até o dia 21/06/2010, com nome e telefone para o Fax: (11) 2905.3045/ 2905.3048 – A/C Depto. de CursosLocal de Realização e Informações:Sociedade Pestalozzi de São PauloAv. Morvan Dias de Figueiredo, 2801 – Vila Guilherme - São PauloFone: (11) 2905 3045 / 2905 3047 / 2905 3048 - Ramal 240E-mail: cursos@pestalozzisp.org.br

3)VIII ANO DE PALESTRAS NA ÁREA DA DEFICIÊNCIA INTELECTUALAtendimento à diversidade – paradigma de suportes: do clínico ao educacional”

Objetivo: proporcionar informações e discussões sobre os aspectos voltados ao diagnóstico e ao atendimento educacional especializado na área da deficiência intelectual.
Público: Profissionais da área da Saúde e da Educação
Carga Horária: 16 horas
Horário: 08h00 às 17h00
Datas: 20 e 21/08/2010 (sexta e sábado)
Evento: gratuito
Conteúdo Programático: Avaliação (diagnóstica: instrumentalização e protocolos; pedagógica: processual e sondagem) e Atendimento Educacional Especializado (aspectos legais, operacionais e de diretrizes do atendimento educacional especializado)
Docentes: Profissionais da Pestalozzi de São Paulo
Vagas: limitadas Obs.: Haverá envio de certificado de participação no eventoLocal de Realização e Informações:Sociedade Pestalozzi de São Paulo Av. Morvan Dias de Figueiredo, 2801 – Vila Guilherme - São PauloFone: (11) 2905 3045 / 2905 3047 / 2905 3048 - Ramal 240E-mail: cursos@pestalozzisp.org.br


4) CURSO DE ATUALIZAÇÃO NA ÁREA DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL “Do clínico ao laboral”
Objetivo:
oferecer informações sobre os aspectos do desenvolvimento, escolarização, profissionalização e mercado de trabalho da pessoa com deficiência intelectual.
Público: Profissionais da área da Saúde e da Educação
Datas: 11/09 a 16/10/2010 (sábado)
Carga Horária: 40 horas
Horário: 08h00 às 17h00
Formato: 05 encontros
Conteúdo Programático: Desenvolvimento Infantil e Intercorrências – apresentação de casos; Avaliação Diagnóstica e Suportes – Equipe Interdisciplinar; Atendimento Educacional do aluno com deficiência intelectual - prática pedagógica e avaliação processual; Rede Social e de Apoio; Empregabilidade
Docentes: Profissionais da Pestalozzi de São Paulo
Vagas: limitadas (mínimo de 30 pessoas) Obs.: Haverá envio de certificado de participação no eventoInvestimento:
Profissionais = 3x de R$ 110,00, sendo depósitos para 20/07; 20/08 e 20/09
Alunos de graduação*, pós-graduação* e professores** = 3x de R$ 100, 00, sendo depósitos para 20/07; 20/08 e 20/09
Grupos de 05 pessoas = 3x de R$ 100,00, sendo depósitos para 20/07; 20/08 e 20/09
* alunos regularmente matriculados em 2010 com comprovante
** professores da rede pública e privada

Dados bancários: Banco do Brasil - 001, Agência 0584-3, c/c 9900-7, Sociedade Pestalozzi de São Paulo. Enviar comprovante do depósito e de escolaridade/função até o dia 25/10/2010, com nome e telefone para o Fax: (11) 2905.3045/ 2905.3048 – A/C Depto. de Cursos
Local de Realização e Informações:Sociedade Pestalozzi de São PauloAv. Morvan Dias de Figueiredo, 2801 – Vila Guilherme - São PauloFone: (11) 2905 3045 / 2905 3047 / 2905 3048 - Ramal 240E-mail: cursos@pestalozzisp.org.br

5) 2º ENCONTRO DE FORMAÇÃO – ATENDIMENTO À DIVERSIDADE “Adequações curriculares/avaliação processual”
Objetivo:
discutir aspectos relacionados ao atendimento às especificidades dos alunos com deficiência intelectual no que se refere às adequações curriculares favorecedoras ao processo de aprendizagem.
Público: Profissionais da área da Saúde e da Educação
Datas: 25/11/2010
Carga Horária: 02 horas
Horário: 18h00 às 20h00
Formato: 01 encontro
Conteúdo Programático: processo de aprendizagem, prática pedagógica, estratégias e materiais de apoio.
Docentes: Profissionais da Pestalozzi de São Paulo
Vagas: limitadas (mínimo de 30 pessoas) Obs.: Haverá envio de certificado de participação no eventoInvestimento:
Profissionais = R$ 40,00
Alunos de graduação*, pós-graduação* e professores** = R$ 35,00
Grupos de 05 pessoas = R$ 35,00
* alunos regularmente matriculados em 2010 com comprovante
** professores da rede pública e privada
Dados bancários: Banco do Brasil - 001, Agência 0584-3, c/c 9900-7, Sociedade Pestalozzi de São Paulo. Enviar comprovante do depósito e de escolaridade/função até o dia 17/11/2010, com nome e telefone para o Fax: (11) 2905.3045/ 2905.3048 – A/C Depto. de Cursos
Local de Realização e Informações:Sociedade Pestalozzi de São PauloAv. Morvan Dias de Figueiredo, 2801 – Vila Guilherme - São PauloFone: (11) 2905 3045 / 2905 3047 / 2905 3048 - Ramal 240E-mail: cursos@pestalozzisp.org.br
Obs.: A atualização do site está em construção, por isso, os interessados nas atividades, por favor, enviar email solicitando ficha de pré-inscrição.

quarta-feira, 3 de março de 2010

SEMANA DA ACESSIBILIDADE: Exposição de Cacau Brasil no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.



A exposição OMISTERIOOTEMPOEMPOESIAS, do artista Cacau Brasil, está sendo realizada de 18 a 28 de fevereiro, em comemoração à SEMANA DA ACESSIBILIDADE, uma ação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência em parceria com a ONG Mais Diferenças.

Com entrada gratuita, a mostra tem a marca da acessibilidade, podendo ser absorvida por todo tipo de público, independente de prévia informação, nível cultural ou necessidade especial. O espaço da exposição é um corredor fechado de 34m de extensão por 4m de largura e 2,40m de altura montado numa das passarelas da Estação da Luz.

Em um ambiente com iluminação especial tudo leva à assimilação da pintura, das impressões poéticas e das experimentações de Cacau Brasil. O objetivo é apresentar ao visitante o lirismo do cotidiano, através de diversas manifestações artísticas: pintura, poesia, música, vídeo-arte e performances cênico-musicais.

Durante a Semana da Acessibilidade, os portadores de deficiência poderão apreciar a exposição, que estará preparada e contará com todos os recursos especiais para atendê-los.


• Durante todo o horário de visitação, os intérpretes de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) estarão presentes para transmitir aos visitantes o conteúdo das obras;

• Todas as obras expostas terão legendas em Braile em placas de acrílico;

• As pessoas portadoras de deficiência visual receberão na entrada aparelhos MP3 para acompanhar em áudio-descrição as obras, as performances teatrais e o vídeo que fazem parte da instalação. A áudio-descrição contará com um depoimento do artista Cacau Brasil interpretando cada obra sua, o que dará à pessoa um entendimento maior da obra que ela está diante – uma inovação, uma vez que não se tem notícia de artistas fazendo áudio-descrição da sua própria obra.

• Programas confeccionados em braile.

• Instalação de piso tátil para melhor locomoção

• Experiência sensorial – vendas para os olhos estarão disponíveis para as pessoas que desejarem visitar a exposição com os olhos vendados, utilizando-se dos recursos acima disponíveis, para vivenciar e sentir a exposição tal como um deficiente visual a sente.


Esta iniciativa é da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, instância do Governo do Estado de São Paulo que tem como objetivo garantir o acesso das pessoas com deficiência no Estado de São Paulo a todos os bens, produtos e serviços existentes na sociedade; em parceria com a ONG Mais Diferenças que, sob a coordenadoria geral de Carla Mauch, atua com o objetivo de promover e implementar práticas e políticas inclusivas com os diversos setores da sociedade para garantir os direitos humanos, prioritariamente das pessoas com deficiência. A ONG busca a realização e ampliação do potencial de cada um, através da produção e elaboração coletivas de saberes e práticas, da equiparação de oportunidades, da construção da autonomia, valorizando as múltiplas formas de ser e estar no mundo.


Saiba mais:


www.md.org.br

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Dúvidas com Romeu Kazumi Sassaki

Surdez, autismo, discalculia, cegueira, dislexia, síndrome de Down... todos aqueles que possuem algum tipo de necessidade especial (física ou educacional) têm direito à Educação, mas qual a melhor maneira de proporcioná-la?
Consultor de Educação inclusiva, Romeu Sassaki esclarece as dúvidas dos internautas sobre como promovê-la nas escolas.
1 - Manter uma turma formada apenas por alunos portadores de necessidades especiais em uma escola comum é uma forma de inclusão?
Uma turma formada exclusivamente por alunos com deficiência constitui uma classe especial dentro de uma escola comum. Na melhor das hipóteses, essa prática é uma forma de integração. Contudo, ela é incompatível com o paradigma da inclusão.
2 - Quais são os primeiros passos para uma escola se tornar inclusiva? Que tipos de suporte, treinamento e ambientes devem ser oferecidos?
A expressão primeiros passos sugere uma seqüência linear de procedimentos. No processo inclusivo, que por natureza requer uma mudança estrutural no sistema de ensino, a linearidade não serve como estratégia. As ações inclusivas devem ser executadas simultaneamente por vários setores e atores sociais: sensibilização, conscientização, capacitação, acessibilização, adequações curriculares, preparação de novos materiais, aquisição de tecnologias assistivas, de informação e de comunicação, entre outros recursos.
3 - Quando a escola trabalha com material apostilado, como seus conteúdos devem ser desenvolvidos com alunos portadores de necessidades especiais? Seria melhor recorrer a outro tipo de material (especial ou adaptado)?
Antes de falarmos em conteúdos do “material especial” ou do “material adaptado”, é necessário esclarecer a questão dos conteúdos curriculares. O diferencial da abordagem inclusiva em comparação com a abordagem tradicional (integrativa) está em seu conceito de adequação curricular em oposição ao de adaptação curricular. Criadas há mais de 30 anos em plena era da integração escolar, as adaptações curriculares separavam do currículo algumas partes que deveriam ser modificadas em função de especificidades e necessidades especiais de alunos com deficiência. Daí surgiram adaptações curriculares, separadamente, para alunos cegos, surdos e com deficiência intelectual ou física. Tal prática fez com que coexistissem dois currículos: o “normal” e o “adaptado”. Por outro lado, o conceito de adequação curricular — fruto da proposta inclusivista — consiste na elaboração de um único currículo adequado a todos os alunos, com e sem deficiência. Trata-se de um currículo flexível o bastante para possibilitar sua adequação às especificidades e necessidades especiais de cada segmento representado no alunado (gênero, etnia, raça, idioma/dialeto, cultura, condição socioeconômica, orientação sexual, faixa etária, deficiência, etc.).
4 - De que maneira a inclusão de pessoas com deficiência pode ser benéfica se a maioria dos educadores não está preparada para educá-las?
O processo de inclusão não pode ser interrompido à espera de que todos os educadores estejam preparados para ensinar alunos com deficiência. Tal preparação se dá graças à inclusão desses estudantes, que, devido às suas necessidades e habilidades, levam o professor a enfrentar os desafios apresentados pelas novas situações envolvidas no processo de ensino-aprendizagem e a encontrar soluções realistas para cada aluno e com o apoio de toda a comunidade escolar. Os benefícios da inclusão não se restringem aos portadores de necessidades especiais, pois todos os alunos ganham em termos de efetiva aprendizagem.
5 - Qual é a formação ideal para professores lecionarem para turmas em que alguns alunos são portadores de necessidades especiais?
Em primeiro lugar, cada professor já está formado em sua disciplina. Posteriormente, ele poderá fazer um curso de especialização em Educação inclusiva (ofertado por faculdades e universidades) e/ou cursos breves de capacitação oferecidos pela própria escola ou por outras instituições. Durante a realização de todos esses cursos de formação continuada, o importante é que os professores adquiram um novo olhar sobre todos os alunos (e não apenas sobre os com deficiência) e aprendam a lidar bem com qualquer aluno.
6 - Em uma turma em que há apenas um aluno com deficiência, é preciso dar maior atenção a ele? Esse aluno apresenta mais dificuldades de aprendizado? Se a resposta for sim, surgem duas dúvidas: 1) Isso é um problema, já que o restante da turma não receberá a mesma atenção? 2) Os alunos com deficiência devem ser tratados de forma diferenciada ou como qualquer outro estudante?
Basicamente, essas questões já foram respondidas anteriormente. Não é apenas o aluno com deficiência que exige maior atenção do educador. Na proposta inclusiva, todos os estudantes requerem mais e melhor atenção, o que significa que o aluno com deficiência não necessariamente tenha mais dificuldades de aprendizagem. Portanto, é preciso eliminar o mito “deficiência = dificuldade de aprendizagem”. Qualquer estudante — mesmo o que não é portador de necessidades especiais — pode apresentar dificuldades de aprendizagem. O olhar abrangente do professor inclusivo perceberá, identificará e trabalhará tais obstáculos. Os alunos com deficiência devem ser tratados da mesma forma que os demais, com base no princípio da igualdade entre todos, em termos de dignidade e direitos humanos. Contudo, eles devem ser tratados de forma diferenciada em função das especificidades e necessidades especiais decorrentes do tipo de deficiência que possuem. Assim como os alunos que não são portadores de deficiência devem ser tratados de forma diferenciada em função de suas especificidades e necessidades especiais decorrentes do segmento a que pertencem.
7 - Como deve ser a avaliação escolar desses alunos?
A avaliação escolar dos alunos com deficiência deve ser a mesma aplicada aos demais. O que muda com o paradigma da inclusão é o que se entende por avaliação escolar, não importa se ela é planejada para este ou aquele aluno. A avaliação escolar inclusiva precisa ser contínua (e não pontual), ocorrendo, portanto, o tempo todo ao longo de cada ano letivo. Para tanto, realizam-se inúmeras atividades que revelem como e o que o aluno está aprendendo (e não somente a prova, que, aliás, é dispensável). Esse tipo de avaliação serve para indicar o que o professor e a escola precisam mudar para que o aluno efetivamente aprenda, e seu objetivo é manter os alunos incluídos (e não eliminá-los), por isso busca avaliar cada aluno por ele mesmo (e não compará-lo com os demais). Cada avaliação, em relação às anteriores, intenciona levar o aluno à realização máxima (e não classificá-lo por nota).
8 - Há alguma lei que garanta e especifique como deve ser a inclusão das pessoas portadoras de necessidades especiais nas escolas comuns? O que os pais de crianças com deficiência podem esperar e exigir dessas escolas?
Além de normas educacionais estaduais e municipais, existem inúmeros documentos do MEC que orientam, recomendam e/ou determinam como deve ser o processo inclusivo nas escolas comuns. Os mais conhecidos são as Diretrizes Nacionais da Educação Especial na Educação Básica (2001), as leis n.º 9.394 (1996), n.º 10.172 (2001), n.º 10.436 (2002) e n.º 10.845 (2004), o Decreto n.º 3.956 (2001), a Portaria n.º 3.284 (2003) e a Resolução CEB n.º 2 (2001). O documento que traz detalhes do processo inclusivo é o Parecer CNE/CEB n.º 17 (2001). Neste momento, a proposta do MEC sobre a Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva está em tramitação no Congresso Nacional. Ela reflete os avanços ocorridos na educação de crianças com e sem deficiência no Brasil. Existe também uma vasta produção de textos técnicos sobre o assunto, inclusive não- oficiais. O que os pais devem exigir dessas escolas é que elas transformem o sistema de ensino (inclusive envolvendo-os ativamente nesse sistema), seguindo o caminho que está sendo exposto nesta entrevista.
9 - Por que há tantas dificuldades de inserção profissional de pessoas com deficiência intelectual? Qual é o papel da escola na superação desses obstáculos?
Tais dificuldades não ocorrem apenas em relação a pessoas com deficiência intelectual. No Brasil, a maioria das crianças com qualquer tipo de deficiência está fora da escola, as que estudam estão em escolas desatualizadas a respeito da Educação inclusiva. A maioria dos adolescentes deficientes está fora dos cursos de profissionalização (públicos ou particulares), os que se profissionalizam estão em escolas que não aplicam os princípios inclusivos. A maior parte dos jovens e adultos portadores de necessidades especiais está fora do mercado de trabalho em conseqüência de preconceitos das empresas. Uma das soluções para esse problema está na aplicação do Decreto n.º 5.598 (2005), que regulamenta a contratação de aprendizes (incluindo pessoas com deficiência de todos os tipos). O Art. 2.º do Capítulo I afirma que “Aprendiz é o maior de quatorze anos e menor de vinte e quatro anos que celebra contrato de aprendizagem, nos termos do Art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho — CLT”. Seu Parágrafo único estabelece que: “A idade máxima prevista no caput deste artigo não se aplica a aprendizes portadores de deficiência.” No Capítulo II, o Art. 3.º explica que “Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado não superior a dois anos, em que o empregador se compromete a assegurar ao aprendiz, inscrito em programa de aprendizagem, formação técnico-profissional metódica compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz se compromete a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a essa formação.” Seu Parágrafo único determina que “Para fins do contrato de aprendizagem, a comprovação da escolaridade de aprendiz portador de deficiência mental deve considerar, sobretudo, as habilidades e competências relacionadas com a profissionalização.” O Art. 4.º prescreve que “A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, matrícula e freqüência do aprendiz à escola, caso não haja concluído o ensino fundamental, e inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob a orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica.” Ainda nesse mesmo Capítulo, o Art. 5.º estabelece que “O descumprimento das disposições legais e regulamentares importará a nulidade do contrato de aprendizagem, nos termos do Art. 9.º da CLT, estabelecendo-se o vínculo empregatício diretamente com o empregador responsável pelo cumprimento da cota de aprendizagem.”
10 - Qual é o maior desafio para conseguirmos colocar em prática um modelo educacional realmente capaz de proporcionar o acesso de todas as pessoas à Educação, independentemente de suas características pessoais?
O maior desafio é o de eliminar barreiras atitudinais (preconceitos, estigmas e estereótipos) que resultam em discriminação contra pessoas com deficiência, entre outras formas de segregação. À medida que formos implementando a acessibilidade atitudinal, as demais barreiras (metodológicas, instrumentais, programáticas, comunicacionais e arquitetônicas) serão mais facilmente eliminadas.
11 - Que livros ou autores o senhor recomenda para educadores que desejam se preparar para trabalhar com alunos portadores de necessidades especiais?
Atualmente contamos com centenas de livros, artigos e anais de seminários sobre Educação inclusiva. Recomendo 18 títulos:
1) ALVES, Fátima. Inclusão: muitos olhares, vários caminhos e um grande desafio. Rio de Janeiro: WAK, 2003.
2) ARANHA, Maria Salete (Org.). Referenciais para construção dos sistemas educacionais inclusivos. Brasília: MEC/SEESP, 2004.
3) Carvalho, Rosita. Removendo barreiras para a aprendizagem: educação inclusiva. Porto Alegre: Mediação, 2000.
4) FÁVERO, Eugênia. Direitos das pessoas com deficiência: garantia de igualdade na diversidade. Rio de Janeiro: WVA, 2004.
5) GIL, Marta (Coord.). Educação inclusiva: o que o professor tem a ver com isso? São Paulo: Ioesp/Ashoka Brasil, 2005.
6) MANTONA, Maria Teresa (Org.). Pensando e fazendo educação de qualidade. São Paulo: Moderna, 2002.
7) MEC/SEESP. Ensaios pedagógicos — Educação inclusiva: direito à diversidade. [Anais do] III Seminário Nacional de Formação de Gestores e Educadores. Brasília: MEC/SEESP, 2006.
8) MITTLER, Peter. Educação inclusiva: contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003.
9) PAROLIN, Isabel (Org.). Aprendendo a incluir e incluindo para aprender. São José dos Campos: Pulso, 2006.
10) Reily, Lucia. Escola inclusiva: linguagem e mediação. Campinas: Papirus, 2004.
11) RODRIGUES, David. Inclusão & educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. São Paulo: Summus, 2006.
12) SAAD, Suad. Preparando o caminho da inclusão: dissolvendo mitos e preconceitos em relação à pessoa com síndrome de Down. São Paulo: Vetor, 2003.
13) SASSAKI, Romeu. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 7. ed. Rio de Janeiro: WVA, 2007.
14) STAINBACK, Susan; STAINBACK, William. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: ArtMed, 1999.
15) STOBÄUS, Claus; MOSQUERA, Juan (Orgs.). Educação especial: em direção à educação inclusiva. Porto Alegre: Edipucrs, 2003.
16) VOIVODIC, Maria Antonieta. Inclusão escolar de crianças com síndrome de Down. Petrópolis: Vozes, 2004.
17) WERNECK, Claudia. Sociedade inclusiva: quem cabe no seu TODOS? Rio de Janeiro: WVA, 1999.
18) WISE, Liz; GLASS, Chris. Trabalhando com Hannah: uma criança especial em uma escola comum. Porto Alegre; Artmed, 2003

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sonhos de fim de ano...


"Mais um ano está chegando ao fim, e na beleza das noites iluminadas, os sonhos de muitos corações se preparam para a viagem à procura de suas realizações, que ocorrerá durante todo o ano vindouro.

A mesma ocorreu no ano que por hora se finda. Sonhos saíram, alguns já voltaram sorrindo e outros, de mãos vazias, aguardam a chegada do novo ano, para seguir numa nova busca. A realização para os sonhos de alguns, quase sempre, se perde na metade do caminho, mas, se Deus quiser, ainda terão muitos outros anos para encontrá-la. Sabemos disso porque enquanto o ser humano tiver Ele do lado, fôlego de vida, família e amigos, estará no caminho certo e seus sonhos jamais deixarão de existir.

Desejo do fundo do meu coração que, cada vez que seus sonhos seguirem viagem, eles sempre voltem para sua vida transbordando de realizações. Que o natal seja um passaporte para que seus sonhos embarquem na “Viagem das Realizações” do ano novo e que não voltem sem a conquista dos objetivos que motivaram a mesma. E quando a meia-noite trouxer o Novo Ano para o mundo e os fogos de artifício anunciarem a sua chegada, nossos sonhos sairão por aí... Que Deus tome a frente e que nas noites sem luar, as estrelas brilhem mais forte, iluminando o longo caminho. Que no próximo ano possamos ainda ser amigos e esperarmos juntos a chegada dos nossos sonhos que partiram, comemorando com imensas taças de amizade verdadeira a vinda e a realização de cada um".


Recebi esta mensagem em meu email e traduz tudo o que eu desejo a todos vocês... Abraços grandes!